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Sentir Materno Blog da Dra. Juliana Cavalsan - psiquiatra, onde ela divide suas ideias e estudos sobre a maternidade

No segundo post da nossa série, vamos falar sobre os antidepressivos que atuam na serotonina, conhecidos tecnicamente co...
10/09/2026

No segundo post da nossa série, vamos falar sobre os antidepressivos que atuam na serotonina, conhecidos tecnicamente como ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina).

Sertralina, fluoxetina, escitalopram, citalopram, paroxetina e fluvoxamina estão entre os medicamentos mais utilizados no tratamento da depressão, da ansiedade e do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

E o que sabemos sobre o uso deles durante a gestação?

Os estudos disponíveis indicam que os ISRS, como grupo, não são considerados teratogênicos e não apresentam uma associação consistente com aumento de malformações congênitas.

Isso não significa que sejam completamente isentos de riscos. Alguns estudos identificam pequenos aumentos em determinados desfechos perinatais, como parto prematuro, baixo peso ao nascer, hemorragia pós-parto e sintomas transitórios de adaptação neonatal.

Mas existe um ponto fundamental nessa avaliação: a própria depressão e outras condições psiquiátricas maternas também podem estar associadas a alguns desses desfechos. Por isso, é importante interpretar os estudos considerando não apenas a exposição ao medicamento, mas também a doença que está sendo tratada.

A fluvoxamina, por ser menos utilizada na gestação, possui menos dados disponíveis. Até o momento, os estudos não identificaram aumento de malformações congênitas maiores, mas ainda são necessários estudos maiores e acompanhamento mais prolongado.

E interromper o tratamento também pode trazer consequências. Em algumas mulheres, a suspensão do antidepressivo pode aumentar significativamente o risco de recaída.

💜 Na gestação, a decisão não deve ser simplesmente “tomar ou não tomar”. É preciso avaliar a gravidade da doença, o histórico de recaídas, o medicamento e a dose utilizados, as alternativas disponíveis e os riscos de não tratar.

A decisão deve ser individualizada e compartilhada com a equipe médica.

Nunca interrompa um antidepressivo por conta própria. Para mais informações, acesse o blog.

Ao longo das próximas semanas, vamos falar sobre diferentes medicamentos utilizados no tratamento de transtornos psiquiá...
03/09/2026

Ao longo das próximas semanas, vamos falar sobre diferentes medicamentos utilizados no tratamento de transtornos psiquiátricos durante a gestação — o que sabemos sobre seus riscos, seus benefícios e o que deve ser considerado na decisão de manter ou modificar um tratamento.

E essa semana começamos pelo lítio.

Lítio na gestação: o que precisamos saber?

O lítio é um dos principais estabilizadores de humor utilizados no tratamento do transtorno bipolar. Durante a gestação, seu uso exige atenção, principalmente pelo possível aumento do risco de malformações cardíacas no bebê.

Os dados disponíveis mostram que esse risco existe, mas o risco absoluto é baixo. A anomalia de Ebstein, por exemplo, é rara: ocorre em cerca de 1 a cada 20.000 nascidos vivos na população geral e pode chegar a aproximadamente 1 a cada 1.000 bebês expostos ao lítio no primeiro trimestre.

Por outro lado, interromper o lítio também pode trazer riscos importantes, especialmente para mulheres com transtorno bipolar grave, devido ao risco de recaída.

Por isso, a decisão de manter ou interromper o tratamento deve ser individualizada, considerando a gravidade do transtorno, o histórico de recaídas e os possíveis riscos e benefícios para mãe e bebê.

Quando o lítio é mantido durante a gestação, o acompanhamento pode incluir ultrassonografia de alta resolução e ecocardiografia fetal, especialmente entre 16 e 18 semanas.

💜 Na gestação, não existe uma decisão de “risco zero”. O objetivo é encontrar a estratégia mais segura para aquela mulher e seu bebê, com acompanhamento médico especializado.

Este é o primeiro post da nossa série “Medicamentos na Gestação”. Nos próximos, vamos falar sobre outros medicamentos e o que as evidências científicas nos mostram sobre cada um deles.

Uma nova revisão publicada no JAMA Psychiatry reforça uma questão fundamental: quando avaliamos o uso de antidepressivos...
28/08/2026

Uma nova revisão publicada no JAMA Psychiatry reforça uma questão fundamental: quando avaliamos o uso de antidepressivos durante a gestação, não podemos considerar apenas os possíveis riscos da medicação. Precisamos também considerar os riscos de uma depressão materna não tratada ou subtratada.

A depressão durante a gravidez é uma doença que pode afetar a saúde da mulher e está associada a diferentes desfechos obstétricos e ao desenvolvimento fetal e infantil. Além disso, mulheres que utilizam antidepressivos frequentemente apresentam quadros mais graves ou recorrentes — o que pode gerar o chamado “confundimento por indicação” e dificultar a interpretação dos estudos.

Os dados apresentados na revisão são importantes: o risco basal de qualquer malformação é de aproximadamente 3 em cada 100 bebês, enquanto entre os expostos a antidepressivos foi de 3,2 em cada 100. Para malformações cardíacas, o risco passou de cerca de 1 para 1,1 em cada 100.

Isso significa que toda gestante com depressão deve tomar antidepressivos? Não.

A decisão precisa ser individualizada, considerando a gravidade da depressão, histórico de recaídas, tratamentos anteriores e os riscos de não tratar.

Não existe uma escolha de risco zero. O objetivo é encontrar, junto com a paciente, a estratégia que melhor proteja a saúde da mãe e do bebê.

Para mais informações, acesse o blog - link está na Bio 💜

📚 Wisner KL et al. Depression and SSRI Treatment During Pregnancy—Prioritizing Maternal Mental Health. JAMA Psychiatry. Publicado online em 12 de agosto de 2026.

Existe uma condição chamada Reflexo Disfórico de Ejeção do Leite (D-MER), em que sentimentos como tristeza, angústia, an...
21/08/2026

Existe uma condição chamada Reflexo Disfórico de Ejeção do Leite (D-MER), em que sentimentos como tristeza, angústia, ansiedade ou até um "aperto no peito" surgem segundos antes da ejeção do leite e desaparecem poucos minutos depois. É uma resposta fisiológica, e não significa que a mãe rejeite o bebê ou não queira amamentar.

O D-MER ainda é pouco conhecido e muitas mulheres passam por essa experiência sem entender o que está acontecendo. Por isso, acabam sentindo culpa, vergonha ou acreditando que estão "falhando" na maternidade.

Se isso acontece com você, procure orientação. Informação, acolhimento e acompanhamento especializado fazem toda a diferença.

Cuidar da saúde mental também faz parte do cuidado com a amamentação.

Acesse o blog da Dra. Juliana pelo link d Bio e obtenha mais informações.

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Muitas mulheres em tratamento para depressão ou ansiedade ficam em dúvida: “Devo parar o antidepressivo para fazer FIV?”...
13/08/2026

Muitas mulheres em tratamento para depressão ou ansiedade ficam em dúvida: “Devo parar o antidepressivo para fazer FIV?” A resposta, segundo estudos recentes, é tranquilizadora.

Um grande estudo dinamarquês, com mais de 44 mil mulheres e 123 mil transferências de embrião entre 2006 e 2019, mostrou que o uso de antidepressivos — seja no momento da transferência ou recentemente interrompido — não reduz as chances de gravidez clínica ou de nascimento vivo.

Os dados indicam:

Mulheres usando antidepressivos no momento da transferência não apresentaram diferenças estatisticamente significativas.

Mulheres que interromperam o uso pouco antes também não apresentaram diferença relevante nos resultados.

⚠️ Mas atenção: outro estudo sueco mostrou que depressão ou ansiedade não tratadas podem reduzir as chances de sucesso da FIV.

Ou seja: o problema pode não ser o medicamento, mas a doença não tratada.

🔍 Limitações: os estudos focam no resultado da transferência embrionária. Ainda faltam dados detalhados sobre etapas anteriores, como qualidade dos óvitos e embriões, ou taxas de fertilização.

✅ Mensagem principal:
Para mulheres em tratamento com antidepressivos, a FIV parece ter sucesso semelhante ao de quem não usa a medicação. Interromper o uso por conta própria pode ser mais prejudicial do que benéfico.

Sua TPM sempre foi intensa a ponto de transformar seu humor e sua rotina? A ciência mostra que isso merece atenção espec...
05/08/2026

Sua TPM sempre foi intensa a ponto de transformar seu humor e sua rotina?

A ciência mostra que isso merece atenção especial também na gestação e no pós-parto.

Um estudo com mais de 1 milhão de mulheres revelou que o histórico de Transtornos Pré-Menstruais (como a TPM severa e o TDPM) está diretamente ligado a um maior risco de desenvolver transtornos de humor no período perinatal:

Os dados do estudo (BMJ Open):
📉 Depressão perinatal: Risco 2,7 vezes maior.
📈 Transtorno Bipolar: Risco cerca de 4 vezes maior.
😟 Ansiedade: Risco 2,6 vezes maior.

Por que isso acontece?
Não é falta de força de vontade.
Algumas mulheres possuem uma sensibilidade neurobiológica aumentada às oscilações hormonais. Assim como o cérebro reage à queda hormonal antes da menstruação, ele também reage às intensas transformações da gravidez e do puerpério.

O histórico pré-menstrual funciona como um sinal de alerta precoce.
Reconhecer essa vulnerabilidade antes ou durante o pré-natal permite criar um plano de prevenção emocional individualizado, com suporte adequado e sem julgamentos.
Você percebia oscilações intensas no seu ciclo antes de engravidar?

Envie este post para alguém que precisa saber disso.

Esse logo simboliza o que eu acredito na psiquiatria, o florescer de um cérebro através do autoconhecimento, busca de co...
31/07/2026

Esse logo simboliza o que eu acredito na psiquiatria, o florescer de um cérebro através do autoconhecimento, busca de compreensão na vida e saúde mental equilibrada.

Infelizmente, às vezes, é preciso adoecer para que isso aconteça.

Ele foi feito, de forma brilhante, pela artista RosalisArt e, agora, lindamente desenhado a lápis de cor por Lucienne Nogueira Arte.

Esse incrível presente, que é delicado desde a embalagem que vem em caixa personalizada e com certificado de autenticidade, é para mim uma forma de demonstrar gentileza, carinho e afeto pela artista.

É o tipo de presente que ficará para sempre pendurado na parede e no coração.

Muito obrigada, Lu.

Juliana Pires Cavalsan

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O período perinatal não é período protetor para nenhuma doença mental e nisso também está incluído o transtorno do pânic...
27/07/2026

O período perinatal não é período protetor para nenhuma doença mental e nisso também está incluído o transtorno do pânico.

Primeiro, o que é transtorno de pânico?

O ataque de pânico é uma sensação inesperado de medo intenso ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e dura cerca de 5 a 10 min e vem acompanhado de muitos sintomas físicos como taquicardia, falta de ar, tremores, formigamentos e sensação de que irá morrer.

Se caracteriza transtorno de pânico quando os ataques são recorrentes.
Muitas pessoas passam a ter comportamentos evitativos para não ter uma crise, por exemplo, se a crise te deu na fila do mercado, a pessoa deixa de frequentar mercados e pode extrapolar para qualquer lugar em que seja possível algum tipo de aglomeração. Em casos graves, a pessoa deixa de sair de casa.
É especialmente no puerpério que o transtorno do pânico tende a piorar, sobretudo entre a 2ª e 8ª semana do pós-parto mas pode aparecer em qualquer período do pós-parto (consideramos pós-parto o 1º ano de vida do bebê). Fonte Pubmed.

Os principais fatores de risco são privação de sono, problemas conjugais e financeiros, e sobretudo, a falta de suporte social.

Mulheres que têm suporte, que contam com o marido, familiares e babás para cuidar do bebê e delas próprias tem chance bem reduzida de apresentar o transtorno de pânico.

Nada é mais importante para a mãe o suporte social!

Esse post é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico.

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16/07/2026

Uma dúvida muito comum entre as mulheres que estão fazendo ou planejam fazer a FIV - fertilização in vitro -, é sobre o uso dos antidepressivos nesse processo.

Nesse vídeo, a Dra. Juliana apresenta estudos realizados sobre isso, além da experiência clínica observada.

Encaminhe esse vídeo para aquela mulher que precisa dessa informação.

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O ácido valpróico é um anticonvulsivante e estabilizador do humor muito usado na neurologia e psiquiatria.Na psiquiatria...
10/07/2026

O ácido valpróico é um anticonvulsivante e estabilizador do humor muito usado na neurologia e psiquiatria.

Na psiquiatria, a maior indicação para o uso dessa medicação é no transtorno afetivo bipolar.
Na neurologia, os principais usos são para a epilepsia e enxaqueca.

Não é de hoje que os efeitos maléficos dessa substância durante a gestação são conhecidos.

O ácido valpróico ou valproato de sódio aumenta o risco de malformação em 10%. Para se ter uma ideia, toda gestante tem uma chance de malformação neurológica varia de 2% a 2,5% independente se fumam, se usam dr**as, se consomem bebidas alcóolicas, se tomam medicações ou foram expostas à alguma radiação, ou seja, toda mulher corre o risco de ter um bebê malformado, segundo estudo publicado no NCBI.
O risco com o ácido valpróico aumenta muito.

As malformações causadas por essa medicação são graves e incluem defeitos no tubo neural, lábio leporino e fenda palatina, alterações cardíacas, renais e urogenitais.

Além disso, crianças que foram expostas a essa substância na gestação tem QI diminuído, maior chance de retardo mental e autismo. Em 2018, a Agência de Medicina Européia lançou uma nota com orientações para evitar o uso de ácido valpróico em mulheres em idade fértil a menos que esse seja a única medicação eficaz para a sua condição.

É função do médico que assiste a paciente avisar sobre os riscos dessa medicação durante a gravidez e assegurar que a paciente esteja com contracepção efetiva. Nesses casos, é preciso ter proteção dupla como, por exemplo, uso de contraceptivo oral/injetável/implante e pr********vo.

É sempre recomendado planejamento gestacional sobretudo em mulheres que fazem tratamento psiquiátrico ou neurológico.

Toda mulher precisa saber dos riscos que corre ao tomar medicações, quaisquer que sejam, na gravidez.

Não pare de maneira nenhuma as medicações por conta própria.

Esse post é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico.

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