10/09/2026
No segundo post da nossa série, vamos falar sobre os antidepressivos que atuam na serotonina, conhecidos tecnicamente como ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina).
Sertralina, fluoxetina, escitalopram, citalopram, paroxetina e fluvoxamina estão entre os medicamentos mais utilizados no tratamento da depressão, da ansiedade e do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
E o que sabemos sobre o uso deles durante a gestação?
Os estudos disponíveis indicam que os ISRS, como grupo, não são considerados teratogênicos e não apresentam uma associação consistente com aumento de malformações congênitas.
Isso não significa que sejam completamente isentos de riscos. Alguns estudos identificam pequenos aumentos em determinados desfechos perinatais, como parto prematuro, baixo peso ao nascer, hemorragia pós-parto e sintomas transitórios de adaptação neonatal.
Mas existe um ponto fundamental nessa avaliação: a própria depressão e outras condições psiquiátricas maternas também podem estar associadas a alguns desses desfechos. Por isso, é importante interpretar os estudos considerando não apenas a exposição ao medicamento, mas também a doença que está sendo tratada.
A fluvoxamina, por ser menos utilizada na gestação, possui menos dados disponíveis. Até o momento, os estudos não identificaram aumento de malformações congênitas maiores, mas ainda são necessários estudos maiores e acompanhamento mais prolongado.
E interromper o tratamento também pode trazer consequências. Em algumas mulheres, a suspensão do antidepressivo pode aumentar significativamente o risco de recaída.
💜 Na gestação, a decisão não deve ser simplesmente “tomar ou não tomar”. É preciso avaliar a gravidade da doença, o histórico de recaídas, o medicamento e a dose utilizados, as alternativas disponíveis e os riscos de não tratar.
A decisão deve ser individualizada e compartilhada com a equipe médica.
Nunca interrompa um antidepressivo por conta própria. Para mais informações, acesse o blog.