21/09/2026
Tem lugares que a gente vai para ajudar, mas volta ajudado. Neste fim de semana, em São João das Missões, vivi algo que me marcou de uma forma que ainda é difícil colocar em palavras. A gente sabe que a pobreza existe, sabe que existem famílias sem alimento, sem água, sem roupa, sem o básico. Mas saber que uma realidade existe é muito diferente de entrar em uma casa, ouvir uma história e olhar nos olhos de quem vive aquilo todos os dias. Foi impossível não pensar em quantas vezes, de longe, é fácil dizer que alguém “não corre atrás”, “não trabalha”, “não dá um jeito na vida”. Mas e quando a pessoa não tem nem para onde correr? Encontramos famílias que estavam há 15, 20 dias sem água, sem água para beber, cozinhar, tomar banho ou lavar uma roupa. Encontramos crianças que não pedem celular, videogame ou televisão. Crianças que pedem uma sacola para carregar o caderno para a escola. E talvez isso tenha sido uma das coisas que mais me tocaram. Porque toda criança deveria poder se dar o direito de sonhar, de querer. Mas, em meio a tantas dificuldades, encontramos também uma generosidade que ensina. Ouvimos de quem já tinha tão pouco: “Eu preciso da cesta básica, mas meu vizinho precisa mais do que eu.”E é nessas horas que algumas definições de riqueza e pobreza começam a mudar dentro da gente.
Fomos levar alimento, roupas e um pouco de esperança. Mas levamos também aquilo que não cabe dentro de nenhuma cesta: abraço, escuta, acolhimento, presença, carinho. E recebemos muito disso de volta. Vimos situações muito tristes, sim. Mas não voltamos tristes para casa. Voltamos com o coração cheio. Felizes por termos conseguido fazer alguma coisa, mesmo sabendo que ainda há tanto a ser feito. Voltamos mais conscientes, mais gratos e com a certeza de que, quando a gente se permite realmente enxergar o outro, alguma coisa também muda dentro da gente. A todas as pessoas que contribuíram, doaram, ajudaram, compartilharam ou tornaram essa ação possível: obrigada. Vocês estavam lá também, em cada cesta entregue, em cada peça de roupa, em cada gesto de cuidado, em cada abraço, em cada sorriso que encontramos pelo caminho🤍