09/10/2026
No ambiente hospitalar, definir a via de alimentação não é apenas uma decisão técnica. Em muitos casos, a escolha entre alimentação oral, terapia nutricional enteral ou parenteral acontece diante de um paciente grave, com limitações para se alimentar e, muitas vezes, com familiares diante de decisões difíceis.
Por isso, explicar a indicação, os objetivos, os benefícios, os riscos e as possibilidades de cada estratégia é parte do cuidado.
A comunicação deve considerar a condição clínica, o prognóstico, a capacidade de decisão do paciente, suas preferências e valores e, quando necessário, a participação de seus representantes ou familiares.
Também é importante esclarecer que a terapia nutricional não significa necessariamente “alimentar a qualquer custo”. Em determinadas situações, especialmente quando há doença avançada ou mudanças nos objetivos terapêuticos, a equipe pode precisar discutir a proporcionalidade da intervenção e se aquela estratégia está de acordo com o que é desejado para o paciente.
Uma comunicação adequada ajuda a reduzir dúvidas, alinhar expectativas e permitir que paciente, família e equipe construam uma decisão coerente com o quadro clínico e os objetivos do cuidado.
Terapia nutricional também é comunicação, escuta e decisão compartilhada. 💙
Ref 📑
CARDENAS, D. et al. ESPEN practical guideline: Ethical aspects of artificial nutrition and hydration. Clinical Nutrition, 2026.
THIBAULT, R. et al. ESPEN guideline on hospital nutrition. Clinical Nutrition, 2021.
BISCHOFF, S. C. et al. ESPEN practical guideline: Home enteral nutrition. Clinical Nutrition, 2022.