06/03/2026
A dor do amor impossível
(Texto de Michelly Ribeiro)
E como falar sobre os amores impossíveis?
Não quero aqui romantizar as relações e nem estimular o improvável de acontecer. Mas, afinal, os maiores romances da história e as músicas que mais marcam são justamente as que contam histórias de intensidade e entrega que, por algum motivo, acabam.
Não são histórias irreais! Afinal, os poetas escrevem como uma catarse do que vivem.
Mas, essa dor do amor impossível, ou do amor que não acontece é real. Ela existe. Eu já senti, e o tempo todo escuto essas histórias no consultório.
Mas, será que amar dói mesmo? O amor verdadeiro é leve, tranquilo. Se dói, signif**a que tem algo ali além do amor – mais negativo – tipo um apego ansioso, evitativo ou ambivalente. Até uma resistência, repressão, bloqueio, causada por traumas.
O fato é que o amor não dói.
O amor em si liberta. Quando o amor é maduro, deixamos o objeto amado livre.
Na prática, o que a gente vê são pessoas se abandonando antes do amor acontecer. Quando acontece um lapso do destino alinhar histórias bonitas, boom! Ou a pessoa se afasta por medo de reviver traumas não superados, ou falta maturidade pra encarar os desafios daquela relação. Porque, não dá para se enganar: relacionamentos saudáveis exigem entrega.
Pra quem decide ir, geralmente é uma fuga, uma alternativa para algo que não se escolheu viver agora, por incapacidade, há muitas possibilidades. Mas, e pra quem f**a? E pra quem consegue enxergar possibilidade real da relação acontecer sem que o outro também queira?
A dor se assemelha a um luto, uma perda muito grande. É como se o “e se desse certo” se sobrepusesse a tudo o que pudesse dar errado. É como se o “e se” doesse muito mais do que 10 anos de relacionamento em que se tentou de tudo e não funcionou.
É uma dor comum hoje em dia, pelo medo do início que leva muita gente a fugir. Pra quem f**a, f**a junto a esperança do reencontro, a dor do inesperado, as ilusões dos cenários de fantasia e lembranças que só foram boas até então.
Talvez, pra quem f**a, a maior dica necessária seja a de se voltar para si mesmo. (...) - texto completo no vídeo e no Youtube.