27/08/2026
Há ciclos que não terminam por fracasso. Terminam porque deixamos de reconhecer, no caminho, aquilo que um dia nos fez escolher permanecer.
Desde janeiro, todas as manhãs tinham um pequeno ritual. Eu ia de carro para o trabalho pela orla do Rio. Era um prazer atravessar a cidade, admirar sua beleza e chegar ao lugar onde passava boa parte dos meus dias.
E havia algo ainda mais importante: as pessoas.
Foi uma honra integrar uma Diretoria Executiva e participar de uma administração que procurou construir, dentro da Companhia, uma cultura de parceria, respeito e, muitas vezes, amizade. Uma cultura que buscamos levar a todas as diretorias e a todos os colaboradores (efetivos e comissionados) porque nenhuma instituição se constrói apenas com estruturas, cargos ou processos. São as pessoas que lhe dão sentido.
Ajudei a construir na Companhia uma cultura em que eu acreditava.
Com a mudança de direção e, principalmente, de propósito, percebi que aquele lugar já não era mais o mesmo. Depois de muitas conversas com a Milena, minha parceira de vida, tomei uma decisão difícil, mas necessária: não faria sentido continuar fazendo parte de algo que já não correspondia àquilo em que acredito e ao que ajudei a construir.
A vida, às vezes, exige que se dê um passo atrás. Não por falta de coragem para permanecer, mas por coragem suficiente para sair. Para, quem sabe, mais adiante, dar dois passos à frente.
Aprendi, ao longo dos anos, que as circunstâncias mudam, as pessoas mudam, as narrativas mudam. Mas alguns princípios não deveriam mudar.
O certo continuará sendo certo, mesmo que ninguém o faça. E o errado continuará sendo errado, mesmo que todos o façam.
Um ciclo se encerra. Outro começa.
E, aos 56 anos, eu posso dizer com propriedade que recomeçar não significa voltar ao início. Significa seguir em frente levando consigo tudo o que a vida ensinou.
Vamos recomeçar. Mais uma vez.