05/10/2026
Quando o assunto é obesidade infantil, o primeiro princípio é: não causar dano. E o dano pode começar nas palavras.
Muita gente ainda acredita que um comentário sobre o peso "motiva" a criança a mudar.
A Academia Americana de Pediatria diz o contrário: em seu documento sobre estigma (2017), mostra que ele está associado a mais compulsão alimentar, isolamento, menos atividade física, afastamento dos serviços de saúde e maior ganho de peso.
Esse estigma vem dos colegas, da escola, da família e também dos profissionais de saúde. Por isso a recomendação começa por nós: linguagem neutra, que coloca a criança antes da doença, e conversa centrada em comportamentos e saúde, não no corpo.
Mas não causar dano não é ficar em silêncio.
A diretriz de 2023 da mesma Academia reconhece a obesidade como doença crônica e complexa, e orienta não adiar o cuidado: avaliar e tratar cedo, sem estigma e junto com a família.
Por isso, antes de falar de peso, eu cuido das palavras: sem culpa, sem rótulos e ouvindo primeiro a criança e a família.
Você tem evitado esse assunto em casa por não saber como falar? Me chama no direct ou agende pelo link da bio.
Referências:
Pont SJ, et al. Pediatrics. 2017;140(6):e20173034.
Hampl SE, et al. Pediatrics. 2023;151(2):e2022060640.
Dra Letícia Remus
Gastropediatria
CRM-RS 27804
RQE 19498 19499
Medicina do Estilo de Vida
Neurociências, Educação e Desenvolvimento Infantil
Gerenciamento do estresse