23/10/2025
Assunto: Paracetamol na Gravidez, Autismo e TDAH.
Para milhões de famílias, uma dúvida persistia: o uso de paracetamol para dor ou febre durante a gravidez poderia aumentar o risco de a criança desenvolver autismo, TDAH ou deficiência intelectual?
Esta preocupação era alimentada por diversos estudos observacionais que mostravam uma ligeira associação. Hoje, trazemos os resultados de um dos estudos mais robustos já feitos sobre o tema, publicado na prestigiada revista científica JAMA (doi:10.1001/jama.2024.3172).
O ESTUDO:
Uma equipe de pesquisadores analisou dados de âmbito nacional da Suécia, incluindo quase 2,5 milhões de crianças nascidas ao longo de 25 anos (1995-2019).
A DESCOBERTA INICIAL:
Assim como em estudos anteriores, quando os pesquisadores apenas compararam crianças que foram expostas ao paracetamol no útero com as que não foram, eles encontraram um risco *marginalmente* aumentado para os três distúrbios.
A GRANDE VIRADA: A ANÁLISE DE IRMÃOS
O ponto crucial deste estudo foi um método de análise muito mais rigoroso: o "controle de irmãos". Os pesquisadores compararam irmãos que compartilham os mesmos pais (e, portanto, grande parte da genética e do ambiente familiar), mas que diferiram na exposição ao paracetamol durante a gestação.
O RESULTADO FINAL:
Quando essa análise mais precisa foi aplicada, a associação desapareceu completamente. O uso de paracetamol na gravidez NÃO foi associado a um risco aumentado de autismo. O uso de paracetamol NÃO foi associado a um risco aumentado de TDAH. O uso de paracetamol NÃO foi associado a um risco aumentado de deficiência intelectual.
O QUE ISSO SIGNIFICA?
Os resultados sugerem fortemente que a pequena associação encontrada em estudos anteriores não era causal (ou seja, não era o remédio causando o problema). Em vez disso, ela era provavelmente devida a "fatores de confusão familiares". Por exemplo, fatores genéticos ou de saúde dos pais que aumentam a chance de ambos: a necessidade de usar paracetamol e o risco de distúrbios do neurodesenvolvimento. Esta pesquisa traz informações valiosas e tranquilizadoras para o manejo da dor e febre na gravidez. Nossa recomendação (como comitê de saúde e comunicação): Este estudo é uma excelente notícia, mas não muda a orientação principal para gestantes: nenhum medicamento é 100% isento de riscos. O paracetamol deve ser usado, como qualquer medicação na gravidez, apenas quando houver indicação médica clara. Consulte sempre seu médico ou obstetra.
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