21/10/2026
Existe uma diferença importante entre reconhecer a potência de alguém e se relacionar com a expectativa de que essa potência se realize.
Às vezes, a gente enxerga qualidades reais no outro. Admira sua inteligência, sua sensibilidade, sua capacidade de transformação. O problema não está necessariamente no que enxergamos, mas no que fazemos com isso.
Na psicologia analítica de Jung, a projeção nos ajuda a compreender como nossos desejos e conteúdos inconscientes podem participar da imagem que construímos de alguém. Não signif**a que tudo seja fantasia. Signif**a que nem sempre percebemos onde termina o outro e onde começam as nossas expectativas.
E tem algo particularmente delicado nisso: podemos estar certos sobre a potência de alguém e completamente equivocados sobre a disposição dessa pessoa para vivê-la.
A reflexão de hoje nasceu de uma conversa simbólica entre Vênus, a Lua e Netuno no céu. Mas ela também me lembra de algo que observo no trabalho terapêutico: nem sempre é simples distinguir o que reconhecemos no outro daquilo que desejamos encontrar nele.
Na leitura astrológica individual, determinadas configurações envolvendo Vênus, Netuno, a Lua e os temas da casa 7, por exemplo, podem abrir uma investigação sobre admiração, idealização e expectativas nas relações. Não como diagnóstico ou destino, mas como possibilidades de reflexão que precisam fazer sentido diante da história de cada pessoa.
🔸️O mapa não determina como você ama, mas pode ampliar a investigação sobre o que você procura, admira e projeta quando ama.🔸️
E talvez a pergunta mais importante não seja o que aquela pessoa poderia se tornar, mas o que nos mantém tão ligados a essa possibilidade.
July Morales
Astróloga e terapeuta de orientação psicanalítica
Angatú | Leve com você