13/10/2026
Às vezes não é o alimento em si, mas como está o nosso intestino e o nosso sistema imunitário — ou seja, de quem vai receber o alimento.
🌾 Encontrei a resposta à pergunta "Tenho mesmo de cortar o glúten?", e ela é um pouco complexa.
Mas, em primeiro lugar, é preciso mesmo tirar de todas as hipóteses que temos doença celíaca. Não vá no "auto-diagnóstico". Não vale dizer que se tem porque se leu uns sintomas nuns posts da internet, porque caso se tenha o buraco é mais abaixo... por isso, testem e não inventem!
Para quem já testou e não é celíaco (que é o meu caso), eu só posso explicar as maneiras pelas quais o meu corpo estava a reagir. No meu caso, o foco estava no impacto nas minhas sacroilíacas — e não só o glúten causa isto, mas isso f**a para outro dia!
O que acontece muitas vezes é um fenómeno chamado mimetismo molecular.
Este mecanismo é super conhecido e também controverso, por exemplo, na tiroide (na Tiroidite de Hashimoto), onde o corpo confunde o glúten com o órgão e o ataca. Nas articulações, o processo é semelhante: a digestão do glúten, aliada a um intestino com a permeabilidade aumentada, gera uma ativação imunitária tão forte que os anticorpos e a inflamação acabam por fazer "fogo cruzado" e atacar as nossas próprias articulações.
Por isso, tirar o glúten (e outros) temporariamente pode SIM ser uma estratégia fantástica para dar tréguas e acalmar o intestino. Mas desenganem-se se acham que a culpa é só dele.
O glúten NÃO é o único a aumentar a permeabilidade intestinal. O stress, a falta de sono, outros alimentos e o desequilíbrio da microbiota também abrem essas portas.
Isto é muito mais complexo do que simplesmente "cortar o glúten". É preciso tratar o ecossistema inteiro para acalmar o sistema imunitário.
Mas uma coisa, eu tenho a certeza, quem ignora estes mecanismos está a negar ao seu paciente uma hipótese de chegar à remissão, que talvez seja a mais natural, ainda que dê algum trabalho e exija sacrifício pessoal.
E por aí, já percebeste que o teu problema pode ir além do que pões no prato? Partilha o teu testemunho e incentiva outras pessoas.