13/10/2026
NEM TUDO O QUE VEEM NAS REDES SOCIAIS REFLETE AQUILO QUE REALMENTE ACONTECE NA VIDA DE ALGUÉM. 🌟
Hoje quero partilhar convosco uma reflexão que considero importante. Não para despertar pena, nem para justif**ar o valor do meu trabalho, mas para vos recordar que, por trás de uma terapeuta espiritual, existe também um ser humano. 💛
Há praticamente dois anos que enfrento um problema de saúde que a maioria das pessoas desconhece.
Há dias em que o meu corpo simplesmente não responde. Dias em que não tenho forças para me levantar da cama. Dias em que, para conseguir cumprir os meus compromissos profissionais, realizo consultas à distância enquanto estou deitada.
E sabem o que é mais curioso? 🤍
Provavelmente, nesse mesmo dia, podem ver-me nas redes sociais a sorrir, a brincar, a fazer um vídeo divertido ou a transmitir uma mensagem positiva.
E talvez pensem:
“Ela está sempre bem, sempre on fire, sempre divertida. É uma força da natureza!” ✨
Mas não sabem o que está por trás desse momento.
Não sabem o que aconteceu antes daquele vídeo. Não sabem como me senti depois. Não sabem das dores, do cansaço, da falta de energia ou das batalhas silenciosas que enfrento diariamente.
Aquilo que vos mostro é apenas aquilo que escolho partilhar. Não representa, necessariamente, tudo aquilo que estou a viver.
Quando faço um vídeo a rir, quando brinco ou procuro transmitir boa energia, isso não signif**a que a minha vida esteja perfeita.
Signif**a que escolho, dentro das minhas possibilidades, continuar a transmitir força a quem está desse lado.
Porque, muitas vezes, a força que tento transmitir aos outros é exatamente a força de que eu própria também preciso.
É a minha forma de enfrentar a vida. 🌻
E há outra realidade que muitas pessoas desconhecem:
Eu deveria estar de baixa médica.
Essa possibilidade foi-me proposta, mas optei por continuar a trabalhar.
Não porque esteja completamente recuperada. Não porque tenha uma situação financeira confortável. Não porque tenha alguém que assegure as minhas responsabilidades.
Mas porque sou mãe solteira, sou trabalhadora independente e dependo exclusivamente do meu trabalho para sustentar a minha vida e a do meu filho.
Não tenho outro emprego. Não tenho outro salário. Não tenho alguém que assuma as minhas contas quando não consigo trabalhar.
O meu trabalho espiritual é a minha profissão há mais de 13 anos.
É a minha vocação e aquilo a que dediquei grande parte da minha vida. Mas é também o que coloca comida na minha mesa, paga a minha casa e garante as necessidades do meu filho.
As contas não deixam de chegar porque estou doente.
As responsabilidades não desaparecem porque o meu corpo precisa de descansar.
E, infelizmente, a vida não f**a suspensa até eu recuperar.
Por isso, continuo a trabalhar, mesmo nos dias em que deveria estar a descansar.
Existe ainda uma questão particularmente delicada.
Dentro da minha prática espiritual e da orientação que reconheço nos meus mentores espirituais, sei que, tendo em conta as condições físicas e energéticas em que me encontro, deveria estar a preservar-me.
Trabalhar energeticamente exige disponibilidade, concentração, equilíbrio e uma entrega que nem sempre é compatível com o estado em que me encontro.
E, ainda assim, continuo.
Continuo a atender, a orientar, a realizar os meus trabalhos espirituais e a assumir os compromissos que estabeleço com quem deposita confiança em mim.
Não considero que isso diminua a qualidade ou a seriedade do meu trabalho. Pelo contrário: procuro manter o mesmo profissionalismo e a mesma responsabilidade de sempre.
Mas existe um preço pessoal que, muitas vezes, sou eu quem paga: o desgaste do meu corpo, a minha força física e o meu equilíbrio energético.
E é precisamente aqui que quero chegar.
Recebo frequentemente mensagens de pessoas que atravessam dificuldades financeiras.
Pessoas que pedem descontos, tentam negociar valores, solicitam pagamentos posteriores ou esperam, de forma mais ou menos direta, que eu realize consultas ou trabalhos gratuitamente.
Muitas vezes, essas abordagens vêm acompanhadas de histórias difíceis, sofrimento e apelos à minha sensibilidade enquanto terapeuta espiritual.
Eu compreendo que existam dificuldades.
Compreendo que a vida nem sempre seja fácil.
Mas gostava de vos fazer uma pergunta:
E quem tem empatia pela terapeuta? 🤔
Quem se preocupa com aquilo que ela enfrenta para continuar disponível?
Quem pensa nas dificuldades financeiras, físicas e emocionais que ela própria poderá estar a atravessar?
Quem considera o esforço que existe por trás de cada atendimento, de cada consulta e de cada trabalho realizado?
Porque a empatia não pode funcionar apenas num sentido.
Eu também tenho dificuldades. Também tenho preocupações. Também tenho dias em que não sei como vou conseguir enfrentar tudo aquilo que tenho pela frente.
Mas não vou para as redes sociais pedir que me paguem a alimentação, o gás, a eletricidade ou as restantes despesas.
Não exponho constantemente os meus problemas para que outras pessoas se sintam responsáveis por os resolver.
Procuro, dentro das minhas possibilidades, resolver os meus próprios B.O.s, muitas vezes em silêncio, sem que ninguém imagine aquilo que estou a enfrentar.
E o facto de eu não pedir ajuda não signif**a que nunca precise dela.
Signif**a apenas que escolhi lidar com as minhas dificuldades dessa forma.
Não condeno quem pede ajuda quando verdadeiramente necessita. Cada pessoa tem a sua realidade e a sua forma de enfrentar as adversidades.
Mas também não posso aceitar que as dificuldades de alguém se transformem automaticamente numa obrigação minha de trabalhar gratuitamente.
Quero também esclarecer outra questão:
Nem todos os problemas da vida têm uma origem energética.
Existem situações que exigem decisões, mudanças de comportamento, escolhas difíceis, responsabilidade pessoal e coragem para enfrentar determinadas realidades.
Quando existe uma questão que, dentro da minha prática espiritual, considero necessitar de acompanhamento energético, esse acompanhamento exige uma avaliação e, eventualmente, um tratamento.
E esse tratamento é um serviço profissional.
Na minha forma de compreender e praticar a espiritualidade, tem de existir uma troca. ⚖️
A espiritualidade não deixa de ser espiritualidade porque existe uma remuneração.
O terapeuta não deixa de ter vocação porque cobra pelo seu trabalho.
E a sensibilidade espiritual não implica abdicar da própria sobrevivência financeira.
Há quem diga:
“Uma pessoa tão espiritualizada e não ajuda gratuitamente?”
Mas pergunto:
Ser espiritualizada signif**a não ter contas para pagar?
Signif**a não precisar de comer?
Signif**a não ter filhos para sustentar?
Signif**a não poder adoecer, descansar ou ter uma vida digna?
A minha espiritualidade não paga as minhas contas. É o exercício da minha profissão que me permite pagá-las.
É por isso que os meus serviços são pagos, que não realizo trabalhos gratuitamente e que não aceito pagamentos posteriores.
Não é uma regra que tenha surgido agora por causa da minha saúde.
É uma forma de trabalhar que mantenho há muitos anos e que quem acompanha o meu percurso conhece perfeitamente.
Não se trata de falta de empatia.
Trata-se de respeito, responsabilidade e reconhecimento profissional.
Se eu abdicasse da remuneração sempre que alguém me apresentasse uma dificuldade financeira, quem asseguraria as minhas responsabilidades?
Quem sustentaria o meu filho?
Quem pagaria as minhas contas?
E, acima de tudo, quem cuidaria de mim quando o meu próprio corpo já me está a pedir descanso?
Não posso sacrif**ar ainda mais a minha saúde, a minha estabilidade e a minha vida para corresponder às expectativas financeiras de outras pessoas.
O meu trabalho tem valor.
A minha experiência tem valor.
O meu tempo tem valor.
E a minha saúde também tem valor, embora muitas vezes seja precisamente aquilo que mais tenho sacrif**ado.
Não preciso de estar bem financeiramente para aparecer a sorrir.
Não preciso de estar saudável para transmitir esperança.
E não preciso de expor todas as minhas dificuldades para que respeitem os limites da minha atividade profissional.
Quem reconhece o valor do meu trabalho será sempre bem-vindo. 🤍
Quem não concorda com os meus valores ou condições tem toda a liberdade de procurar outro profissional.
E isso não constitui qualquer problema para mim.
O que não aceito é que a minha espiritualidade seja utilizada como argumento para desvalorizar o meu trabalho ou para me exigir aquilo que não posso oferecer.
Termino com uma reflexão:
Antes de dizerem a alguém “tu estás sempre bem, sempre on fire, sempre divertida”, lembrem-se de que aquilo que observam pode ser apenas uma pequena parte da realidade. 🌟
Antes de pedirem a alguém que compreenda as vossas dificuldades, considerem que essa pessoa também poderá estar a enfrentar batalhas que desconhecem.
E, antes de exigirem empatia, procurem também praticá-la.
Porque, por trás de cada sorriso, pode existir uma luta silenciosa.
Eu continuo a sorrir. Continuo a trabalhar. Continuo a ajudar.
Mas isso não signif**a que esteja tudo bem.
Signif**a apenas que, apesar de tudo, continuo a fazer o melhor que consigo, com a força que tenho.
E essa força também merece respeito. 💛
Shiva Space ✨